Os 5 eventos que vão agitar os mercados na semana

SÃO PAULO – Após uma semana de mergulho de 5% para o Ibovespa, que abandonou o território dos 80 mil pontos, os investidores continuam atentos aos desdobramentos da greve dos caminhoneiros, que chega ao seu oitavo dia nesta segunda-feira (28).

Depois de um discurso duro na sexta-feira, o presidente Michel Temer voltou a ceder à categoria, anunciando na noite de domingo novas medidas que agradam o setor. No radar dos investidores, também estão dados de emprego, fiscais e do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre. Dados de atividade econômica no exterior também darão o tom do humor do mercado. Confira ao que se atentar nesta segunda-feira e ao longo da semana:

1. Bolsas mundiais

No mercado internacional, a sessão é de movimentos moderados nas principais bolsas, com exceção da Itália, onde Giuseppe Conte renunciou ao cargo de primeiro-ministro ao não conseguir formar coalizão para governar o país. Ele havia sido designado para o cargo pelo presidente Sergio Mattarella, em uma tentativa de formação de composição entre o Movimento 5 Estrelas e a Liga, quase três meses depois das eleições. Na Ásia, os investidores acompanharam a melhora no clima entre Estados Unidos e Coreia do Norte, após um estremecimento observado uma semana atrás. Do lado das commodities, o petróleo cai por mais um dia, em meio à possibilidade de Arábia Saudita e Rússia elevarem estoques.

Às 8h (horário de Brasília), este era o desempenho dos principais índices:

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,20%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,15%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,32%

*DAX (Alemanha) -0,07%

*CAC-40 (França) -0,20%

*FTSE MIB (Itália) -1,30%

*Hang Seng (Hong Kong) +0,67% (fechado)

*Xangai (China) -0,19% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,13% (fechado)

*Petróleo WTI -1,83%, a US$ 66,64 o barril

*Petróleo brent -1,53%, a US$ 75,27 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian -0,98%, a 453,50 iuanes (nas últimas 24 horas)

*Bitcoin US$ 7.237
R$ 26.256 -1,49% (nas últimas 24 horas)

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2.Agenda doméstica da semana

Vale lembrar que tanto Brasil quando EUA terão feriados na próxima semana. Na segunda-feira (28), será o mercado norte-americano que não irá funcionar por conta do Memorial Day, enquanto a B3 não terá pregão na quinta-feira (31), no feriado de Corpus Christ.

Sobre a greve, mesmo que os caminhoneiros aceitam a suspensão, pelo menos uma das condições apresentadas pelo governo ainda dependerá de aprovação do congresso. Na quarta passada a Câmara dos Deputados aprovou o texto da reoneração da folha de pagamento de alguns setores e da isenção do PIS/Cofins sobre o diesel. A proposta agora fica nas mãos do Senado, que precisa votar logo o texto para evitar maiores problemas com os grevistas.

Na agenda de indicadores, na terça-feira (29), o IBGE divulga o resultado de abril da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). Para os economistas da GO Associados, a taxa de desemprego deve recuar de 13,1% para 12,9% no trimestre encerrado em abril. “A queda do desemprego reflete tanto o componente sazonal, em virtude das contratações pós-início de ano, como a ligeira melhora da atividade econômica”, explicam.

Na mesma data, a Secretaria do Tesouro Nacional informa o resultado fiscal de abril do governo central, que inclui o Tesouro Nacional, o Banco Central e a Previdência. A GO estima um pequeno superávit primário de R$ 500 milhões no mês. Segundo os analistas, o resultado positivo do mês é sazonal e reflete a arrecadação extra com os impostos recolhidos trimestralmente, como o IRPJ e CSSL.

Já na quarta-feira (30), será apresentado o dado mais esperado da semana, o PIB do primeiro trimestre, que deve ficar na casa de 0,5% segundo a GO Associados, que diz que o dado deve mostrar que o setor de serviços segurou o desempenho da atividade no período.

3. Agenda externa da semana

A semana será bastante movimentada nos Estados Unidos, com dados econômicos relevantes como o PIB do primeiro trimestre na quarta-feira (30) às 9h. Além disso, também saem os dados de inflação ao consumidor na quinta-feira (31) às 9h30 e o relatório de emprego na sexta-feira (1). Esta combinação de indicadores é importante pois mostrará a dinâmica da economia americana e dará mais sinalizações se o Federal Reserve terá espaço para subir os juros 4 vezes ou manterá em 3 vezes este ano.

“Dados fortes de atividade, emprego e inflação podem levar ao aumento da aposta de uma postura mais agressiva pelo Fomc. Nessa última semana, o mercado reduziu a probabilidade de quatro altas de juros neste ano e voltou a precificar com maior probabilidade a possibilidade de apenas três altas”, explicam os analistas da GO.

Na Ásia, em um contexto relativo de alívio das tensões comerciais entre os EUA e a China, os dados da sondagem da produção industrial (PMI) de maio serão publicados na quarta-feira (30) e quinta-feira (31). Os dados devem dar uma indicação sobre a dinâmica do setor industrial do gigante asiático.

4. Notícias do dia

O presidente Michel Temer anunciou, na noite do domingo, em cadeia nacional, cinco novas medidas para tentar solucionar o impasse gerado pela paralisação dos caminhoneiros, que chega ao oitavo dia. Pelas contas oficiais, as novas concessões à categoria devem chegar a R$ 10 bilhões de custos ao governo, que deverá detalhar, nesta segunda-feira, de onde virão os recursos.

Eis os pontos anunciados pelo emedebista: 1) Preço do diesel terá redução de R$ 0,46/litro, o que corresponde à soma do PIS/Cofins com a Cide. Será um subsídio equivalente à liquidação destes impostos para o diesel; 2) O preço do combustível será válido pelos próximos por 60 dias, sem oneração da Petrobras pelos subsídios. Os posteriores reajustes serão mensais; 3) Isenção de cobrança do eixo suspenso dos pedágios nas rodovias municipais, estaduais e federais; 4) Garantia aos caminhoneiros autônomos de 30% dos fretes da Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento; 5) Estabelecimento de uma tabela mínima de frete.

Há uma expectativa de que os caminhoneiros encerrem a greve com a publicação das medidas no Diário Oficial da União. Segundo a Folha, a oposição vai mirar todas as suas flechas agora em Pedro Parente. O diagnóstico é que Michel Temer já está tão desgastado que não valeria a pena perder tempo com ele. A situação do executivo pode mexer com as ações da companhia, fortemente penalizadas pelo mercado em meio à percepção de maior ingerência política sobre a tomada de decisão sobre preços.

O governo corre contra o tempo para resolver o impasse com os caminhoneiros. A situação pode se agravar com a greve anunciada por petroleiros, que pode impedir uma retomada do abastecimento de combustíveis. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, os militares veem situação delicada e temem uma onda de paralisações no país. A Federação Única dos Petroleiros pretende entrar em greve na quarta-feira. Paralisação também seria novo foco de pressão sobre o presidente da estatal, Pedro Parente, cuja gestão, elogiada pelos investidores, foi amplamente questionada pelos políticos durante a greve dos caminhoneiros.

Enquanto as atividades não voltam, os mais distintos setores da economia sentem os efeitos da paralisação. Durante o fim de semana, o governo havia endurecido discurso contra os grevistas e grupos empresariais por suposto envolvimento nos atos, o que seria conhecido como locaute, proibido pela legislação brasileira.

5. Notícias corporativo

A Petrobras levou ao Planalto uma proposta para discutir a cobrança de impostos flexíveis sobre combustíveis. Segundo o jornal Valor Econômico, a medida tem inspiração no modelo europeu. A ideia seria a arrecadação com tributos flutuar de acordo com os preços dos combustíveis: em caso de alta, menor receita com impostos; se houver recuo, sobe o valor arrecadado por litro. Os frigoríficos sentem os efeitos da paralisação dos caminhoneiros: segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), 167 plantas frigoríficas de aves e suínos estão paradas e 64 milhões de aves adultas e pintinhos já morreram. Ainda no noticiário das empresas, a Justiça de São Paulo suspendeu liminar que impedia ofertas pela Eletropaulo. A Eletrobras fixou em R$ 2,8 bi preço mínimo para vender 70 SPEs.